Sua
empresa ainda não deu o ar da graça na internet? Nunca é tarde para marcar
presença. É só escolher um profissional para tocar a empreitada. Mas aí surge a
dúvida: investir para ter uma página melhor e com mais recursos ou economizar e
adotar um site mais limitado?
“Gastar 3.800 reais para desenvolver um site? Só pode ser piada! Meu sobrinho
faz esse trabalho para mim por 300 reais.” Respostas desse tipo fazem parte do
dia-a-dia das agências de criação de soluções web. Tanto que até já deram nome a
esses jovens desenvolvedores: são os ‘sobrinhos homepage’”, diz Rodrigo Brito,
diretor comerical da DM Web, empresa de criação de soluções para a web.
A diferença de valores cobrados pela criação de sites institucionais é
realmente impressionante. As agências especializadas apresentam orçamentos
médios que ficam entre 1.800 reais e 5.600 reais, enquanto desenvolvedores
independentes pedem, muitas vezes, apenas 300 reais para realizar o trabalho.
Escolher o mais econômico, no entanto, nem sempre é a opção mais inteligente.
Os especialistas alertam para o fato de o barato sair caro muitas vezes, já que
um trabalho malfeito pode exigir novos investimentos para ser corrigido. “Há
casos que vão parar na Justiça porque o contratado promete um serviço que não
consegue entregar”, diz Helton Falusi, diretor da HTC, empresa especializada em
soluções de internet.
Falusi justifica a disparidade de preços listando uma série de diferenciais
dos serviços especializados. Para começar,qualquer projeto deve obrigatoriamente
seguir uma identidade visual. E esses elementos de identificação têm de levar em
conta o público-alvo, bem como o que ele espera do site. Segundo ele, o valor
cobrado por agências especializadas é naturalmente mais alto porque elas dedicam
diversos profissionais para um único trabalho – há desde um web designer até uma
equipe de criação e um gerente de projeto.
“É arriscado contratar apenas um profissional, pois dificilmente ele será bom
tanto na criação de um layout adequado quanto na programação do site”, sugere o
diretor. “Se o site é voltado para jovens, por exemplo, é interessante incluir
muitos recursos de interatividade. Já se o público-alvo é formado por
profissionais mais velhos, as informações devem ser claras e objetivas”,
explica. O risco é abalar a imagem da empresa. “O site é como um cartão de
visitas. Se for feio ou bagunçado, o internauta certamente vai imaginar que a
empresa é ruim e desorganizada”.
O executivo também destaca que as ferramentas de publicação e editores de
html existentes atualmente auxiliam bastante o trabalho, mas não dão conta do
recado. “Na hora de programar efetivamente, o profissional precisa ter muito
conhecimento de códigos”, diz. Rodrigo Brito, da DM Web, concorda. “As
ferramentas de publicação, por si só, não funcionam. O site pressupõe um
processo de criação visual. É impossível padronizar um layout. Não dá para ter
uma estrutura engessada”, diz.
No caso do desenvolvedor independente falhar na hora da programação, o
cliente pode, no final das contas, gastar novamente com a contratação de
empresas especializadas capazes de corrigir os erros. Quando isso acontece, o
projeto precisa ser “demolido” e construído novamente a partir do zero. “Não
existe na internet o aproveitamento do que já está feito. Geralmente, a empresa
não sabe a estrutura que foi usada anteriormente. É mais fácil começar de novo”,
explica Brito.
Para ele, esta é uma das maiores vantagens da contratação de uma empresa
especializada em desenvolvimento de soluções de internet.
“Ela não entrega e vai embora. A dinâmica da própria internet demanda
atualizações constantes. Quando você contrata uma empresa, tem segurança, sabe
que a informação não será detida por uma única pessoa e assim o projeto não é
prejudicado.” Segundo o Brito, vários clientes chegaram até a DM Web depois de
experiências desastrosas. “Os ‘sobrinhos homepage’ normalmente são frilas. Eles
podem receber parte do pagamento e desaparecer, ou arrumar um emprego fixo no
meio do caminho e abandonar o projeto”, explica.
O web designer Ricardo Untem destaca outra vantagem dos profissionais
especializados sobre os “amadores”. “Conhecemos algumas artimanhas que esses
criadores independentes desconhecem”, diz. Um exemplo disso são as metatags,
códigos específicos que ajudam o site a se sair melhor que outros em resultados
de busca. “Alguns buscadores têm mecanismos que rastreiam metatags. Elas não
garantem que o site vá ficar entre os top 10, mas ajudam a página a ter uma
descrição mais precisa”, diz o designer. Quanto maior a exposição nos sites de
busca, mais visitantes um site tem.
Por conta própria
Mesmo com todas essas opiniões contrárias, se a idéia é colocar no ar apenas um
site institucional simples, pode ser válido economizar e contratar um
desenvolvedor autônomo – ou até criar o site sozinho. Roberto Antonio Engracia,
especialista em desenvolvimento web do Senac-SP, explica que a contratação de um
profissional independente é válida sempre que o projeto não envolva muitos
recursos multimídia. “Se os recursos desejados forem poucos, a contratação de um
autônomo é suficiente”, diz, acrescentando que há hoje no mercado muitos
profissionais qualificados.
“Tem muita gente que está se especializando em desenvolvimento de internet, e
as empresas especializadas não conseguem absorver toda essa mão-de-obra. O
comprometimento depende muito da formação do profissional”, afirma. Se a empresa
temer a possibilidade de não contar com um profissional para manter o site
atualizado, outra opção é treinar um funcionário para a função. “Isso demanda
tempo e investimento, mas é válido”, sugere Engracia.
No caso de uma empresa mais doméstica, uma terceira saída é o próprio dono
tratar de colocar o negócio na internet. O curso “Formação Web Designer”, do
Senac, é uma boa pedida para esses empreendedores. Com carga horária de 144
horas, o curso custa 1.690 reais e tem como pré-requisito apenas noções básicas
de Windows e internet.
O professor do Senac destaca, porém, a necessidade de uma especialização
contínua. Para Engracia, a contratação de uma empresa especializada em soluções
de internet é imprescindível no caso de grandes projetos. “É necessário uma
equipe grande, composta de profissionais com conhecimentos diversos, para manter
o site. Aí, não vale mais a pena cuidar de tudo por conta própria”, justifica.
Fonte PC World
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