|
Essa é a previsão da queda de preços nos EUA com parceria da Apple com Intel, segundo IDC. No Brasil, empresa precisa mudar modelo. Mesmo prevista pelo setor há algum tempo, a migração de microprocessadores IBM para Intel, na linha Macintosh, anunciada pela Apple nesta segunda-feira (06/06), foi tanto aplaudida como criticada por analistas de mercado.
Na opinião do analista da International Data Corporation (IDC)
Brasil, Denis Gaia, a migração é uma forma da empresa de Steve
Jobs ganhar escala e participação de mercado em desktops.
"Uma hora a Apple tinha de decidir se continuava atuando de
maneira forte no mercado de desktops ou se abandonaria o
segmento. Acho que a empresa sentiu a necessidade de avançar um
pouco mais no mercado de PCs, que ela mesma dominava na década
de 70", avalia Gaia.
No primeiro trimestre deste ano, segundo a IDC, a Apple se
manteve na décima posição do mercado mundial de micros com uma
média de 2% de participação. No Brasil, a empresa possui menos
de 1% do mercado e não figura entre os dez principais
fornecedores.
O analista de mercado da IDC Brasil acredita que a economia de
escala com processadores Intel traga uma redução de 8% no valor
do Macintosh. Para o bolso do brasileiro, entretanto, a mudança
não fará diferença sem que a empresa modifique seu modelo local
de negócios.
"Se a Apple não fabricar no Brasil, não vai se tornar
competitiva", sinaliza Gaia. O consultor acredita que a migração
para a plataforma Intel possa fazer com que a Apple avalie a
produção no País.
Negócio arriscado
Para analistas nos Estados Unidos, no entanto, o movimento da
Apple é mais arriscado.
"Mesmo que o movimento para a arquitetura dual traga alguns
benefícios, a retirada completa dos chips IBM seria extretamente
tola", declarou Gary Barnett, diretor de pesquisas da empresa
Ovum Ltd..
"A Intel não é mais a líder absoluta no design de processadores,
que era há poucos anos. Recentemente, observamos inovações tanto
da AMD - com melhor abordagem da computação de 64 bits - e da
IBM - com uma melhor estratégia de chips de núcleos múltiplos",
complementou Barnet.
Steve Fortuna, analista sênior de TI na área de hardware da
consultoria Prudential Equity Group LLC, acredita que "na troca
para um processador de massa, a Apple pode se arriscar a diluir
a proporção de valor e ter menos controle do cronograma de
lançamentos, além de alienar sua principal base de usuários
fiéis."
O analista da Prudential também ressaltou que a compatibilidade
de software poderia ser outra questão a ser avaliada já que
desenvolvedores independentes terão de adaptar aplicações para
rodar em chips Intel.
Para Jack Gold, da J. Gold Associates, "nesta decisão, ficou
virtualmente assegurado que o [sistema operacional] Mac OS irá
sobreviver e prosperar", já que a Apple "ganhou habilidade de
concorrer com novas plataformas [de hardware] em pé de
igualdade".
"Acho que Steve Jobs merece crédito. Essencialmente, ele
permitiu a clonagem [de hardware] da Apple sem liberar os clones
do mercado cinza, que é algo que ele deseja fazer há anos.
Agora, a Apple precisa alcançar mais competitividade para ganhar
participação de mercado."
|