Antecipar-se aos passos da nova concorrência e já oferecer tecnologia de voz sobre IP (VoIP) ou esperar que esse mercado se torne representativo o suficiente para então lançar seus novos serviços? .
| Esse é o principal questionamento levantado sobre as
estratégias de grandes operadoras de telefonia tradicional frente à
crescente adoção de VoIP por empresas e usuários domésticos, mas uma
coisa é certa: a telefonia IP veio para ficar. |
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As operadoras brasileiras podem enfrentar dificuldades já em 2008 se não
planejarem desde agora uma transferência estratégica do sistema tradicional para
o sobre IP, avisa Álvaro Leal, analista da IDC.
Em um estudo feito especificamente para o mercado europeu, a consultoria
prevê que a telefonia fixa chegue em 2008 com receita 3% menor do que o
registrado em 2003 – de 108 bilhões de dólares, as operadoras do Velho
Continente devem ver o valor cair para 95 bilhões de dólares.
Os maiores responsáveis por essa baixa significativa em um período tão curto
de tempo – 5 anos – são justamente a convivência cada vez maior com os celulares
e a concorrência da telefonia de voz sobre IP.
As concessionárias brasileiras, entretanto, mostram que possuem uma estrutura
capaz de receber a tecnologia e, inclusive, já utilizam VoIP internamente para
baratear os custos de algumas operações específicas.
A Telefônica informa que usa a tecnologia para completar as chamadas com o
programa Super 15 originadas fora do Estado de SP, evitando a necessidade de
alugar a rede das operadoras locais. “Essa aplicação, contudo, não é perceptível
para o cliente”, disse em um comunicado oficial.
De acordo com o prognóstico de Leal, as concessionárias podem demorar até
mais do que dois a três anos para oferecer os novos serviços a empresas e
usuários domésticos. “Acredito que primeiro elas vão explorar o máximo da
telefonia convencional para depois inserir VoIP”, afirma.
Embratel, Brasil Telecom e Telemar foram contatadas por esta reportagem, mas
não se pronunciaram. O argumento foi de que preferiam não comentar sobre suas
futuras estratégias.
A Intelig, por sua vez, prevê lançar novos serviços corporativos e
residenciais a partir do segundo semestre. “Ainda estamos estudando operadoras e
fornecedoras para buscar o melhor preço”, afirmou Alexandre Oliveira, diretor de
marketing e produtos da Intelig Telecom.
Os detalhes ainda não são conhecidos, mas, de acordo com o vice-presidente de
marketing Kleber Meira, o serviço é destinado a corporações e as linhas serão
associadas a números telefônicos.
Mudança gradual
O maior apelo dessa nova tecnologia de comunicação está, sem dúvida, na
redução significativa de custos – tanto para quem opera quanto para quem usa o
serviço. Alguns fatores, porém, ainda limitam a adoção em massa do VoIP.
No segmento residencial, os atrativos recaem apenas para chamadas de longa
distância, tanto internacionais quanto interestaduais. Para chamadas locais
apenas, que representam a grande maioria das ligações efetuadas, talvez o
investimento inicial ainda não valha a pena.
Já no âmbito corporativo, são dois os fatores que inibem a adoção.
“Primeiro, ainda é difícil justificar o investimento em terminais VoIP, que
saem bem mais caros [média de 800 reais] do que os terminais comuns”, afirma
Álvaro Leal.
“Depois, é complicado chegar em uma empresa e alocar largura de banda para
cada um dos telefones. Isso ainda é muito caro”, completa o analista da IDC.
A relação com a banda larga
“Banda larga é a matéria-prima para o VoIP”, explica José Francisco
Cavalcanti, presidente da Tmais, uma das muitas empresas que surgiram com o
objetivo de prestar serviço de voz sobre IP.
Uma vez que a voz é transformada em dados para depois ser transmitida pelo
protocolo IP, o mesmo utilizado para conexão à web, é importante que a rede
tenha alta velocidade para que a qualidade do serviço seja garantida. “Uma coisa
está intimamente ligada à outra”, reforça Alexandre, da Intelig.
O executivo da Tmais acredita que, para haver disseminação da tecnologia, é
primordial que conexões de alta velocidade sejam mais populares. “Elas podem
fazer com que haja uma mudança de cenário mais rápida do que imaginamos”, diz
Cavalcanti.
É uma relação diretamente proporcional. Segundo um estudo divulgado em maio,
os 30 países membros da Organização para o Desenvolvimento e Cooperação
Econômica (OECD, na sigla em inglês) fecharam 2004 com 118 milhões de usuários
de conexão rápida – cerca de 34,1 milhões a mais em comparação com 2003.
De acordo com a organização, o desenvolvimento dos serviços de voz sobre IP
(VoIP) e vídeo via internet foram importantes para tal crescimento. Fazem parte
da OECD os Estados Unidos, Canadá, Japão, Coréia do Sul, Austrália, Nova
Zelândia, México e mais 23 países europeus, entre eles Reino Unido, Alemanha e
França.
Por sua vez, a iSuppli prevê que, até o final deste ano, haja 185,74 milhões
de internautas em alta velocidade ao redor do mundo – 31% a mais do que os 141,3
milhões de 2004 e 99% a mais do que os 93,3 milhões de 2003. Para 2009, então, o
número absoluto previsto é de 349,1 milhões de assinantes.
No Brasil, a Telefônica quer elevar o número de seus clientes web em 31% até
o final de 2005 – 3,03 milhões em 2004 para 3,98 milhões ao final do ano. Só de
banda larga, o crescimento previsto é de 38,3%, com salto 1,67 milhão para 2,31
milhões de usuários.
A estratégia, portanto, é aumentar ao máximo a média de receita por usuário
para, depois, partir para novas tecnologias. “Já não há uma expansão no número
de terminais telefônicos, o mercado está ‘flat’ faz tempo”, explica Álvaro Leal.
“Em vez de vender a conexão DSL como serviço integrado, que tal vender VoIP
para quem já tem DSL? Essa é uma possibilidade que temos ouvido”. Para o
especialista da IDC, “é muito provável que as operadoras de telefonia
tradicional usem o burburinho em torno do VoIP para ajudar a vender banda
larga”.
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