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Operadoras: grandes mudanças à vista PDF Imprimir E-mail
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15-Ago-2005
Antecipar-se aos passos da nova concorrência e já oferecer tecnologia de voz sobre IP (VoIP) ou esperar que esse mercado se torne representativo o suficiente para então lançar seus novos serviços? .
Esse é o principal questionamento levantado sobre as estratégias de grandes operadoras de telefonia tradicional frente à crescente adoção de VoIP por empresas e usuários domésticos, mas uma coisa é certa: a telefonia IP veio para ficar.

As operadoras brasileiras podem enfrentar dificuldades já em 2008 se não planejarem desde agora uma transferência estratégica do sistema tradicional para o sobre IP, avisa Álvaro Leal, analista da IDC.

Em um estudo feito especificamente para o mercado europeu, a consultoria prevê que a telefonia fixa chegue em 2008 com receita 3% menor do que o registrado em 2003 – de 108 bilhões de dólares, as operadoras do Velho Continente devem ver o valor cair para 95 bilhões de dólares.

Os maiores responsáveis por essa baixa significativa em um período tão curto de tempo – 5 anos – são justamente a convivência cada vez maior com os celulares e a concorrência da telefonia de voz sobre IP.

As concessionárias brasileiras, entretanto, mostram que possuem uma estrutura capaz de receber a tecnologia e, inclusive, já utilizam VoIP internamente para baratear os custos de algumas operações específicas.

A Telefônica informa que usa a tecnologia para completar as chamadas com o programa Super 15 originadas fora do Estado de SP, evitando a necessidade de alugar a rede das operadoras locais. “Essa aplicação, contudo, não é perceptível para o cliente”, disse em um comunicado oficial.

De acordo com o prognóstico de Leal, as concessionárias podem demorar até mais do que dois a três anos para oferecer os novos serviços a empresas e usuários domésticos. “Acredito que primeiro elas vão explorar o máximo da telefonia convencional para depois inserir VoIP”, afirma.

Embratel, Brasil Telecom e Telemar foram contatadas por esta reportagem, mas não se pronunciaram. O argumento foi de que preferiam não comentar sobre suas futuras estratégias.

A Intelig, por sua vez, prevê lançar novos serviços corporativos e residenciais a partir do segundo semestre. “Ainda estamos estudando operadoras e fornecedoras para buscar o melhor preço”, afirmou Alexandre Oliveira, diretor de marketing e produtos da Intelig Telecom.

Os detalhes ainda não são conhecidos, mas, de acordo com o vice-presidente de marketing Kleber Meira, o serviço é destinado a corporações e as linhas serão associadas a números telefônicos.

Mudança gradual

O maior apelo dessa nova tecnologia de comunicação está, sem dúvida, na redução significativa de custos – tanto para quem opera quanto para quem usa o serviço. Alguns fatores, porém, ainda limitam a adoção em massa do VoIP.

No segmento residencial, os atrativos recaem apenas para chamadas de longa distância, tanto internacionais quanto interestaduais. Para chamadas locais apenas, que representam a grande maioria das ligações efetuadas, talvez o investimento inicial ainda não valha a pena.

Já no âmbito corporativo, são dois os fatores que inibem a adoção.

“Primeiro, ainda é difícil justificar o investimento em terminais VoIP, que saem bem mais caros [média de 800 reais] do que os terminais comuns”, afirma Álvaro Leal.

“Depois, é complicado chegar em uma empresa e alocar largura de banda para cada um dos telefones. Isso ainda é muito caro”, completa o analista da IDC.

A relação com a banda larga

“Banda larga é a matéria-prima para o VoIP”, explica José Francisco Cavalcanti, presidente da Tmais, uma das muitas empresas que surgiram com o objetivo de prestar serviço de voz sobre IP.

Uma vez que a voz é transformada em dados para depois ser transmitida pelo protocolo IP, o mesmo utilizado para conexão à web, é importante que a rede tenha alta velocidade para que a qualidade do serviço seja garantida. “Uma coisa está intimamente ligada à outra”, reforça Alexandre, da Intelig.

O executivo da Tmais acredita que, para haver disseminação da tecnologia, é primordial que conexões de alta velocidade sejam mais populares. “Elas podem fazer com que haja uma mudança de cenário mais rápida do que imaginamos”, diz Cavalcanti.

É uma relação diretamente proporcional. Segundo um estudo divulgado em maio, os 30 países membros da Organização para o Desenvolvimento e Cooperação Econômica (OECD, na sigla em inglês) fecharam 2004 com 118 milhões de usuários de conexão rápida – cerca de 34,1 milhões a mais em comparação com 2003.

De acordo com a organização, o desenvolvimento dos serviços de voz sobre IP (VoIP) e vídeo via internet foram importantes para tal crescimento. Fazem parte da OECD os Estados Unidos, Canadá, Japão, Coréia do Sul, Austrália, Nova Zelândia, México e mais 23 países europeus, entre eles Reino Unido, Alemanha e França.

Por sua vez, a iSuppli prevê que, até o final deste ano, haja 185,74 milhões de internautas em alta velocidade ao redor do mundo – 31% a mais do que os 141,3 milhões de 2004 e 99% a mais do que os 93,3 milhões de 2003. Para 2009, então, o número absoluto previsto é de 349,1 milhões de assinantes.

No Brasil, a Telefônica quer elevar o número de seus clientes web em 31% até o final de 2005 – 3,03 milhões em 2004 para 3,98 milhões ao final do ano. Só de banda larga, o crescimento previsto é de 38,3%, com salto 1,67 milhão para 2,31 milhões de usuários.

A estratégia, portanto, é aumentar ao máximo a média de receita por usuário para, depois, partir para novas tecnologias. “Já não há uma expansão no número de terminais telefônicos, o mercado está ‘flat’ faz tempo”, explica Álvaro Leal.

“Em vez de vender a conexão DSL como serviço integrado, que tal vender VoIP para quem já tem DSL? Essa é uma possibilidade que temos ouvido”. Para o especialista da IDC, “é muito provável que as operadoras de telefonia tradicional usem o burburinho em torno do VoIP para ajudar a vender banda larga”.

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