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Através do presente artigo, os autores pretendem desmistificar os
recentemente famosos ataques DDoS (Distributed Denial of Service), explicando
não somente a anatomia do ataque e a forma como ele é orquestrado, mas
principalmente dando a conhecer algumas estratégias de como mitigá-lo. São
abordados também alguns mecanismos de detecção do ataque e, caso você se torne
uma vítima, são apresentadas algumas diretivas de como reagir.
O artigo descreve também, de maneira sucinta, o funcionamento das ferramentas
DDoS comumente usadas nos ataques.
Centro de Atendimento a Incidentes de Segurança (CAIS)
Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP)
Introdução
No último mês, o assunto segurança de redes passou a fazer parte da ordem do
dia na imprensa falada e escrita. Na pauta das conversas nos cafés e esquinas
das cidades tornou-se comum falar sobre os hackers, os mais recentes
ataques que deixaram inacessíveis alguns dos mais famosos web sites, e até mesmo
se ouvia falar em ataques de "negação de serviço" (Denial of Service, DoS).
Mas, afinal, o que é um ataque de "negação de serviço"? Os ataques DoS são
bastante conhecidos no âmbito da comunidade de segurança de redes. Estes
ataques, através do envio indiscriminado de requisições a um computador alvo,
visam causar a indisponibilidade dos serviços oferecidos por ele. Fazendo uma
analogia simples, é o que ocorre com as companhias de telefone nas noites de
natal e ano novo, quando milhares de pessoas decidem, simultaneamente,
cumprimentar à meia-noite parentes e amigos no Brasil e no exterior. Nos cinco
minutos posteriores à virada do ano, muito provavelmente, você simplesmente não
conseguirá completar a sua ligação, pois as linhas telefônicas estarão
saturadas.
Ao longo do último ano, uma categoria de ataques de rede tem-se tornado
bastante conhecida: a intrusão distribuída. Neste novo enfoque, os ataques não
são baseados no uso de um único computador para iniciar um ataque, no lugar são
utilizados centenas ou até milhares de computadores desprotegidos e ligados na
Internet para lançar coordenadamente o ataque. A tecnologia distribuída não é
completamente nova, no entanto, vem amadurecendo e se sofisticando de tal forma
que até mesmo vândalos curiosos e sem muito conhecimento técnico podem causar
danos sérios. A este respeito, o CAIS tem sido testemunha do crescente
desenvolvimento e uso de ferramentas de ataque distribuídas, em várias
categorias: sniffers, scanners, DoS.
Seguindo na mesma linha de raciocínio, os ataques Distributed Denial of
Service, nada mais são do que o resultado de se conjugar os dois conceitos:
negação de serviço e intrusão distribuída. Os ataques DDoS podem ser definidos
como ataques DoS diferentes partindo de várias origens, disparados simultânea e
coordenadamente sobre um ou mais alvos. De uma maneira simples, ataques DoS em
larga escala!.
Os primeiros ataques DDoS documentados surgiram em agosto de 1999, no
entanto, esta categoria se firmou como a mais nova ameaça na Internet na semana
de 7 a 11 de Fevereiro de 2000, quando vândalos cibernéticos deixaram
inoperantes por algumas horas sites como o Yahoo, EBay, Amazon e CNN. Uma semana
depois, teve-se notícia de ataques DDoS contra sites brasileiros, tais como:
UOL, Globo On e IG, causando com isto uma certa apreensão generalizada.
Diante destes fatos, a finalidade deste artigo é desmistificar o ataque, de
modo que administradores e gerentes de sistemas, conhecendo melhor o inimigo, se
preparem para combatê-lo.
Desmistificando o ataque
OS PERSONAGENS

Figura 1: Ataque DDoS
Quando tratamos de um ataque, o primeiro passo para entender seu
funcionamento é identificar os "personagens". Pois bem, parece nãohaver um
consenso a respeito da terminologia usada para descrever este tipo de ataque.
Assim, esclarece-se que ao longo deste artigo será utilizada a seguinte
nomenclatura:
Atacante: Quem efetivamente coordena o ataque.
Master: Máquina que recebe os parâmetros para o ataque e
comanda os agentes (veja a seguir).
Agente: Máquina que efetivamente concretiza o ataque DoS
contra uma ou mais vítimas, conforme for especificado pelo atacante.
Vítima: Alvo do ataque. Máquina que é "inundada" por um
volume enormede pacotes, ocasionando um extremo congestionamento da rede e
resultando na paralização dos serviços oferecidos por ela.
Vale ressaltar que, além destes personagens principais, existem outros dois
atuando nos bastidores:
Cliente: Aplicação que reside no master e que efetivamente
controla os ataques enviando comandos aos daemons.
Daemon: Processo que roda no agente, responsável por receber e
executar os comandos enviados pelo cliente.
O ATAQUE
O ataque DDoS é dado, basicamente, em três fases: uma fase de "intrusão em
massa",na qual ferramentas automáticas são usadas para comprometer máquinas e
obteracesso privilegiado (acesso de root). Outra, onde o atacante
instala software DDoS nas máquinas invadidas com o intuito de montar a rede
deataque. E, por último, a fase onde é lançado algum tipo de flood de
pacotes contra uma ou mais vítimas, consolidando efetivamente o ataque.
Fase 1: Intrusão em massa
Esta primeira fase consiste basicamente nos seguintes passos:
- É realizado um megascan de portas e vulnerabilidades em redes
consideradas "interessantes", como por exemplo, redes com conexões de
banda-larga ou com baixo grau de monitoramento.
- O seguinte passo é explorar as vulnerabilidades reportadas, com o
objetivode obter acesso privilegiado nessas máquinas.
Entre as vítimas preferenciais estão máquinas Solaris e Linux, devido à
existência de sniffers e rootkits para esses sistemas.
Entre as vulnerabilidades comumente exploradas podemos citar: wu-ftpd,
serviços RPC como "cmsd", "statd",
"ttdbserverd", "amd", etc.
- É criada uma lista com os IPs das máquinas que foram invadidas e que
serão utilizadas para a montagem da rede de ataque.
Fase 2: Instalação de software DDoS
Esta fase compreende os seguintes passos:
- Uma conta de usuário qualquer é utilizada como repositório para as
versões compiladas de todas as ferramentas de ataque DDoS.
- Uma vez que a máquina é invadida, os binários das ferramentas de DDoS
sãoinstalados nestas máquinas para permitir que elas sejam
controladasremotamente. São estas máquinas comprometidas que desempenharão
os papeis de masters ouagentes.
A escolha de qual máquina será usada como master e qual
comoagente dependerá do critério do atacante. A princípio, o perfil dos
master é o de máquinas que não são manuseadas constantemente pelos
administradores e muito menos são frequentemente monitoradas. Já o perfil
dos agentes é o de máquinas conectadas à Internet por links
relativamente rápidos, muito utilizados em universidades e provedores de
acesso.
- Uma vez instalado e executado o daemon DDoS que roda nos
agentes, elesanunciam sua presença aos masters e ficam à espera de
comandos (status "ativo").O programa DDoS cliente, que roda nos masters,
registra em uma listao IP das máquinas agentes ativas. Esta lista pode ser
acessada pelo atacante.
- A partir da comunicação automatizada entre os masters e agentes
organizam-se os ataques.
- Opcionalmente, visando ocultar o comprometimento da máquina e a
presençados programas de ataque, são instalados rootkits.
Vale a pena salientar que as fases 1 e 2 são realizadas quase que
umaimediatamente após a outra e de maneira altamente automatizada. Assim, são
relevantes as informações que apontam que os atacantes podem comprometer uma
máquina e instalar nela as ferramentas de ataque DDoS em poucos segundos.
Voilá, tudo pronto para o ataque!!
Fase 3: Disparando o ataque
Como mostrado na
figura 1, o
atacante controla uma ou mais máquinas master, as quais, por sua vez,
podem controlar um grande número de máquinas agentes. É a partir destes agentes
que é disparado o flood de pacotes que consolida o ataque. Os agentes
ficam aguardando instruções dos masters para atacar um ou mais
endereços IP (vítimas), por um período específico de tempo.
Assim que o atacante ordena o ataque, uma ou mais máquinas vítimas são
bombardeadas por um enorme volume de pacotes, resultando não apenas na saturação
do link de rede, mas principalmente na paralização dos seus serviços.
Ferramentas de DDoS
Ao contrário do que se pensa, os ataques DDoS não são novos. A
primeiraferramenta conhecida com esse propósito surgiu em 1998. Desde então,
foram diversas as ferramentas de DDoS desenvolvidas, cada vez mais sofisticadas
e com interfáceis mais amigáveis. O que é no mínimo preocupante, pois nos dá uma
idéia de quão rápido se movimenta o mundo hacker. A seguir, elas são
listadas na ordem em que surgiram:
| 1. Fapi (1998) |
4. TFN (ago/99) |
7. TFN2K(dez/99) |
| 2. Blitznet |
5. Stacheldraht(set/99) |
8. Trank |
| 3. Trin00 (jun/99) |
6. Shaft |
9. Trin00 win version |
Não é propósito deste artigo abordar todas as ferramentas de DDoS
disponíveis,mas apenas conhecer o funcionamento básico das principais, que são:
Trin00, TFN, Stacheldraht e TFN2K.
TRIN00
O Trin00 é uma ferramenta distribuída usada para lançar ataques
DoScoordenados, especificamente, ataques do tipo UDP flood.Para maiores
informações a respeito de ataques deste tipo, veja em:
http://www.cert.org/advisories/CA-96.01.UDP_service_denial.html
Uma rede Trinoo é composta por um número pequeno de masters e um
grande número de agentes.
O controle remoto do master Trin00 é feito através de uma conexão
TCPvia porta 27665/tcp. Após conectar, o atacante deve fornecer uma
senha(tipicamente, "betaalmostdone").
A comunicação entre o master Trin00e os agentes é feita via pacotes
UDP na porta 27444/udpou via pacotes TCP na porta 1524/tcp. A senha padrão para
usar os comandosé "l44adsl" e só comandos que contêm a substring "l44" serão
processados.
A comunicação entre os agentes e o master Trin00 tambémé através de
pacotes UDP, mas na porta 31335/udp.Quando um daemon é inicializado,
ele anuncia a sua disponibilidadeenviando uma mensagem ("*HELLO*") ao master,o
qual mantém uma lista dos IPs das máquinas agentes ativas, que ele controla.
Tipicamente, a aplicação cliente que roda no master tem sido
encontrado sob o nome de master.c, enquanto que os daemons
do Trin00 instalados emmáquinas comprometidas têm sido encontrados com uma
variedade de nomes, dentre eles: ns, http, rpc.trinoo, rpc.listen,
trinix, etc. Tanto o programa cliente (que roda no master)
quanto o daemon (que roda no agente) podem ser inicializados sem
privilégios de usuário root.
TFN – TRIBE FLOOD NETWORK
O TFN é uma ferramenta distribuída usada para lançar ataques DoS coordenados
a uma ou mais máquinas vítimas, a partir de várias máquinas comprometidas. Além
de serem capazesde gerar ataques do tipo UDP flood como o Trin00, uma
rede TFN pode gerar ataques do tipoSYN flood, ICMP flood e
Smurf/Fraggle. Maiores informações a respeito destetipo de ataques podem ser
encontradas em:
http://www.cert.org/advisories/CA-96.21.tcp_syn_flooding.html
http://www.cert.org/advisories/CA-98.01.smurf.html
Neste tipo de ataque é possível forjar o endereço origem dos pacotes lançados
às vítimas, o que dificulta qualquer processo de identificação do atacante.
No caso específico de se fazer uso do ataque Smurf/Fraggle para atingir a(s)
vítima(s), o flood de pacotes é enviado às chamadas "redes
intermediárias" que consolidarão o ataque, não diretamente às vítimas.
O controle remoto de uma master TFN é realizado através de
comandosde linha executados pelo programa cliente. A conexão entre o atacantee o
cliente pode ser realizada usando qualquer um dos métodos de conexãoconhecidos,
tais como: rsh, telnet, etc. Não é necessária nenhuma senhapara executar o
cliente, no entanto, é indispensável a lista dos IPs das máquinasque têm os
daemons instalados. Sabe-se que algumas versões da aplicação clienteusam
criptografia (Blowfish) para ocultar o conteúdo desta lista.
A comunicação entre o cliente TFN e os daemons é feita via pacotes
ICMP_ECHOREPLY.Não existe comunicação TCP ou UDP entre eles.
Tanto a aplicação cliente (comumente encontrada sob o nome de tribe)
como os processos daemons instalados nas máquinas agentes
(comumenteencontrados sob o nome de td), devem ser executados
com privilégios de usuário root.
STACHELDRAHT
Baseado no código do TFN, o Stacheldraht é outra das ferramenta distribuídas
usadas para lançar ataques DoS coordenados a uma ou mais máquinas vítimas, a
partir de várias máquinas comprometidas. Como sua predecessora TFN, ela também é
capaz de gerar ataques DoS do tipo UDP flood, TCP flood, ICMP
flood e Smurf/fraggle.
Funcionalmente, o Stacheldraht combina basicamente características das
ferramentas Trin00 e TFN, mas adiciona alguns aspectos, tais como: criptografia
da comunicação entre o atacante e o master;e atualização automática dos
agentes.
A idéia de criptografia da comunicação entre o atacante e o master
surgiuexatamente porque uma das deficiências encontradas na ferramenta TFN era
que a conexão entre atacante e master era completamente desprotegida,
obviamente sujeita a ataques TCP conhecidos (hijacking, por exemplo). O
Stacheldraht lida com este problema incluindo um utilitário "telnet
criptografado" na distribuição do código.
A atualização dos binários dos daemons instaladosnos agentes pode
ser realizada instruindo o daemon a apagar a sua própria imagem e
substituí-la poruma nova cópia (solaris ou linux). Essa atualização é realizada
via serviço rpc (514/tcp).
Uma rede Stacheldraht é composta por um pequeno número de mastersonde
rodam os programas clientes (comumente encontrados sob o nome de mserv,
e um grande número de agentes, onde rodam os processos daemons
(comumente encontrados sob o nome de leaf ou td).
Todos eles devem ser executados com privilégios de root.
Como foi mencionado anteriormente, o controle remoto de um master
Stacheldraht é feito através de um utilitário "telnet criptografado" que usa
criptografia simétrica para proteger as informaçõesque trafegam até o master.
Este utilitário se conecta em uma porta TCP,comumente na porta 16660/tcp.
Diferencialmente do que ocorre com o Trinoo, que utiliza pacotes UDPna
comunicação entre os masters e os agentes, e do TFN, que utilizaapenas
pacotes ICMP, o Stacheldraht utiliza pacotes TCP (porta padrão 65000/tcp) eICMP
(ICMP_ECHOREPLY).
TFN2K - TRIBLE FLOOD NETWORK 2000
A ferramenta Tribe Flood Network 2000, mais conhecida como TFN2K, é mais
umaferramenta de ataque DoS distribuída. O TFN2K é considerado umaversão
sofisticada do seu predecessor TFN. Ambas ferramentas foram escritaspelo mesmo
autor, Mixter.
A seguir são mencionadas algumas características da ferramenta:
- Da mesma forma que ocorre no TFN, as vítimas podem ser atingidas por
ataques do tipo UDP flood, TCP flood, ICMP flood
ou Smurf/fraggle. O daemon podeser instruído para alternar
aleatoriamente entre estes quatro tipos de ataque.
- O controle remoto do master é realizado através de comandos via
pacotes TCP, UDP, ICMP ou os três de modo aleatório. Estes pacotes são
criptografados usando o algoritmo CAST.Deste modo, a filtragem de pacotes ou
qualquer outro mecanismo passivo, torna-se impraticável e ineficiente.
- Diferentemente do TFN, esta ferramenta é completamente "silenciosa",
isto é, não existe confirmação (ACK) da recepção dos comandos, a comunicação
de controle éunidirecional. Ao invés disso, o cliente envia 20 vezes cada
comando confiando em que, ao menos uma vez, o comando chegue com sucesso.
- O master pode utilizar um endereço IP forjado.
A título de ilustração se resume, através da seguinte tabelacomparativa, como
é realizada a comunicação entre os"personagens" encontrados em um típico ataque
DDoS, para cada uma das ferramentas:
| Comunicação |
Trin00 |
TFN |
Stacheldraht |
TFN2K |
| Atacante->Master |
1524/27665/tcp |
icmp_echoreply |
16660/tcp |
icmp/udp/tcp |
| Master->Agente |
27444/udp |
icmp_echoreply |
65000/tcp,
icmp_echoreply |
icmp/udp/tcp |
| Agente->Master |
31335/udp |
icmp_echoreply |
65000/tcp,
icmp_echoreply |
icmp/udp/tcp |
De um modo geral, os binários das ferramentas DDoS têm sido comumente
encontrados em máquinas com sistema operacional Solaris ou Linux. No entanto, o
fonte dos programas pode ser facilmente portado para outras plataformas.
Ainda em relação às ferramentas, vale lembrar que a modificação do código
fonte pode causar a mudança de certas propriedades da ferramenta, tais como:
portas de operação, senhas de acesso e controle, nome dos comandos, etc. Isto é,
a personalização da ferramenta é possível.
Como se prevenir?
Até o momento não existe uma "solução mágica" para evitar os ataques DDoS, o
que sim é possível é aplicar certas estratégias para mitigar o ataque, este é o
objetivo desta seção.
Dentre as estratêgias recomendadas pode-se considerar as seguintes:
- Incrementar a segurança do host
Sendo que a característica principal deste ataque é a formação de uma rede
de máquinas comprometidas atuando como masters e agentes,
recomenda-se fortemente aumentar o nível de segurança de suas máquinas, isto
dificulta a formação da rede do ataque.
- Instalar patches
Sistemas usados por intrusos para executar ataques DDoS são comumente
comprometidos via vulnerabilidades conhecidas. Assim, recomenda-se manter
seus sistemas atualizados aplicando os patches quando necessário.
- Aplicar filtros "anti-spoofing"
Durante os ataques DDoS, os intrusos tentam esconder seus endereços IP
verdadeiros usando o mecanismo de spoofing, que basicamente consite
em forjar o endereço origem, o que dificulta a identificação da origem do
ataque. Assim, se faz necessário que:
- Os provedores de acesso implementem filtros anti-spoofing na entrada
dos roteadores, de modo que ele garanta que as redes dos seus clientes
não coloquem pacotes forjados na Internet.
- As redes conectadas à Internet, de modo geral, implementem filtros
anti-spoofing na saída dos roteadores de borda garantindo assim que eles
próprios não enviem pacotes forjados na Internet.
- Limitar banda por tipo de tráfego
Alguns roteadores permitem limitar a banda consumida por tipo de tráfego na
rede. Nos roteadores Cisco, por exemplo, isto é possível usando CAR (Commited
Access Rate). No caso específico de um ataque DDoS que lança um
flood de pacotes ICMP ou TCP SYN, por exemplo, você pode configurar o
sistema para limitar a banda que poderá ser consumida por esse tipo de
pacotes.
- Prevenir que sua rede seja usada como "amplificadora"
Sendo que algumas das ferramentas DDoS podem lançar ataques smurf
(ou fraggle), que utilizam o mecanismo de envio de pacotes a
endereços de broadcasting, recomenda-se que sejam implementadas em
todas as interfaces dos roteadores diretivas que previnam o recebimento de
pacotes endereçados a tais endereços. Isto evitará que sua rede seja usada
como "amplificadora". Maiores informações a respeito do ataque smurf
(e do parente fraggle) podem ser encontradas em:
http://users.quadrunner.com/chuegen/smurf
- Estabelecer um plano de contingência
Partindo da premisa que não existe sistema conectado à Internet totalmente
seguro, urge que sejam considerados os efeitos da eventual indisponibilidade
de algum dos sistemas e se tenha um plano de contingência apropriado, se
necessário for.
- Planejamento prévio dos procedimentos de resposta
Um prévio planejamento e coordenação são críticos para garantir uma resposta
adequada no momento que o ataque está acontecendo: tempo é crucial! Este
planejamento deverá incluir necessariamente procedimentos de reação conjunta
com o seu provedor de backbone.
Como detectar?
As ferramentas DDoS são muito furtivas no quesito detecção. Dentre as
diversaspropriedades que dificultam a sua detecção pode-se citar como mais
significativa a presença de criptografia. Por outro lado, é possível modificar o
código fonte de forma que as portas, senhas e valores padrões sejam alterados.
Contudo, não é impossível detectá-las. Assim, esta seção tem por objetivo
apresentar alguns mecanismos que auxiliem na detecção de um eventual
comprometimento da sua máquina (ou rede) que indique ela estar sendo usada em
ataques DDoS. Estes mecanismos vão desde os mais convencionais até os mais
modernos.
AUDITORIA
Comandos/Utilitários: Alguns comandos podem ser bastante
úteis durante o processo de auditoria. Considerando os nomes padrões dos
binários das ferramentas DDoS, é possível fazer uma auditoria por nome de
arquivo binário usando o comando find. Caso as ferramentas não
tenham sido instaladas com seus nomes padrões, é possível fazer uso do comando
strings que permitiria, por exemplo, fazer uma busca no
conteúdo de binários "suspeitos". Esta busca visaria achar cadeias de
caracteres, senhas e valores comumente presentes nos binários das ferramentas
DDoS.
O utilitário lsof pode ser usado para realizar uma auditoria
na lista de processos em busca do processo daemon inicializado pelas
ferramentas DDoS. Por último, se a sua máquina estiver sendo usada como master,
o IP do atacante eventualmente poderia aparecer na tabela de conexões da sua
máquina (netstat). Se tiver sido instalado previamente um
rootkit, este IP não se revelará.
Ferramentas de auditoria de host: Ferramentas como
o Tripwire podem ajudar a verificar a presença de rootkits.
Ferramentas de auditoria de rede: O uso de um scanner de
portas pode revelar um eventual comprometimento da sua máquina. Lembre-se
que as ferramentas DDoS utilizam portas padrões.
Assim também, analisadores de pacotes podem ser vitais na detecção
de trafego de ataque. Para uma melhor análise dos pacotes é importante conhecer
as assinaturas das ferramentas DDoS mais comuns. No caso específico da
ferramenta TFN2K, que utiliza pacotes randômicos e criptografados, o que
prejudica em muito a detecção da ferramenta por meio de análise dos pacotes, é
possível alternativamente procurar nos pacotes uma característica peculiar
gerada pelo processo de criptografia.
FERRAMENTAS DE DETECÇÃO ESPECÍFICAS
Uma variedade de ferramentas foram desenvolvidas para detectar ferramentas de
ataque DDoS que, eventualmente, possam ter sido instaladas no seu sistema,
dentre elas:
O NIPC (National Infraestructure Protection Center) disponibilizou
uma ferramenta de auditoria local chamada "find_ddos" que procura no
filesystem os binários do cliente e daemon das ferramentas de Trin00, TFN,
Stacheldraht e TFN2K. Atualmente estão disponíveis os binários do find_ddos para
Linux e Solaris em:
http://www.fbi.gov/nipc/trinoo.htm
Dave Dittrich, Marcus Ranum e outros desenvolveram um script de auditoria
remota, chamado "gag" que pode ser usado para detectar agentes Stacheldraht
rodando na sua rede local. Este script pode ser encontrado em:
http://staff.wahington.edu/dittrich/misc/sickenscan.tar
Dave Dittrich, Marcus Ranum, George weaver e outros desenvolveram a
ferramenta de auditoria remota chamada "dds" que detecta a presença de agentes
Trin00, TFN e Stacheldraht. Ela se encontra disponível em:
http://staff.washington.edu/dittrich/misc/ddos_scan.tar
SISTEMAS DE DETECÇÃO DE INTRUSÃO
Sistemas de detecção de intrusão mais modernos incluem assinaturas que
permitem detectar ataques DDoS e comunicação entre o atacante, o master
DDoS e o agente DDoS.
Como reagir?
- Se ferramentas DDoS forem instaladas nos seus sistemas
Isto pode significar que você está sendo usado como master ou
agente. É importante determinar o papel das ferramentas encontradas. A peça
encontrada pode prover informações úteis que permitam localizar outros
componentes da rede de ataque. Priorize a identificação dos masters.
Dependendo da situação, a melhor estratégia pode ser desabilitar imediatamente
os masters ou ficar monitorando para coletar informações adicionais.
- Se seus sistemas forem vítimas de ataque DDoS
O uso do mecanismo de spoofing nos ataques DDoS dificulta em muito a
identificação do atacante. Assim, se há um momento em que pode-se fazer um
backtracing e chegar ao verdadeiro responsável é no exato momento em que
está ocorrendo o ataque. Isto significa que é imprescindível a comunicação
rápida com os operadores de rede do seu provedor de acesso/backbone.
Considere que, devido à magnitude do ataque, não é recomendável confiar na
conectividade Internet para comunicação durante um ataque. Portanto,
certifíque-se que sua política de segurança inclua meios alternativos de
comunicação (telefone celular, pager, sinais de fumaça, etc). Mas, por favor,
aja rápido, tempo é crucial!
Considerações finais
Não existe "solução mágica" para evitar os ataques DDoS, não com a tecnologia
atual.
No lugar, existem certas estratégias que podem ser aplicadas pelos
administradores e gerentes de rede para mitigá-lo. Sem dúvida, sem se conhecer o
que acontece nos bastidores será uma tarefa difícil. Assim, o motivo deste
artigo foi justamente desmistificar o ataque de modo que estes profissionais,
conhecendo melhor o inimigo, se preparem melhor para combatê-lo.
Referências on-line
ALR-01/2000: Recentes ataques de DoS
por CAIS - Centro de Atendimento de Incidentes de Segurança
http://www.rnp.br/arquivos/ALR-012000.txt
Distributed Denial of Service Attacks
by Bennet Tood
https://fridge.oven.com/~bet/DDoS
DDoS Attack Mitigation
by Elias Levy
Mensagem enviada na lista Bugtraq em 10/02/2000
http://www.securityfocus.com
Denial of Service FAQ
by Kurt Seifried
http://securityportal.com/direct.cgi?/research/ddosfaq.html
Consensus Roadmap for Defeating Distributed Denial of Service Attacks
by Rich Pethia, Allan Paller & Gene Spafford
Special Note from SANS Global Incident Analysis Center
http://www.sans.org/ddos_roadmap.htm
Resisting the Effects of Distributed Denial of Service Attacks
Special Note from SANS Global Incident Analysis Center
http://www.sans.org/y2k/resist.htm
Distributed Denial of Service Defense Tactics
by Simple Nomad (RAZOR Team)
http://razor.bindview.com/publish/papers/DDSA_Defense.html
Distributed Denial of Service Tools
by CERT - Carnegie Mellon Emergency Response Team
http://www.cert.org/incident_notes/IN-99-07.html
Denial of Service Tools
by CERT - Carnegie Mellon Emergency Response Team
http://www.cert.org/advisories/CA-99-17-denial-of-service-tools.html
Denial of Service Developments
by CERT - Carnegie Mellon Emergency Response Team
http://www.cert.org/advisories/CA-2000-01.html
Technical Tips - Denial of Service
by CERT - Carnegie Mellon Emergency Response Team
http://www.cert.org/tech_tips/denial_of_service.html
CERT Distributed Intruder Tools Workshop
by David Dittrich
http://staff.washington.edu/dittrich/talks/cert/
The DoS Project's 'trinoo' distributed denial of service attack tool
by David Dittrich
http://staff.washington.edu/dittrich/misc/trinoo.analysis
The "Tribe Flood Network" distributed denial of service attack tool
by David Dittrich
http://staff.washington.edu/dittrich/misc/tfn.analysis
The "stacheldraht" distributed denial of service attack tool
by David Dittrich
http://staff.washington.edu/dittrich/misc/stacheldraht.analysis
TFN2K - An Analysis
by Jason Barlow and Woody Thrower (Axent Security Team)
http://www2.axent.com/swat/News/TFN2k_Analysis.htm
Tribe Flood Network 3000
by Mixter
http://packetstorm.securify.com/distributed/tfn3k.txt
Sites relacionados
CERT Coordinator Center
Security Focus
SANS Institute
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