Uma
nova tecnologia emergente pode acabar com a supremacia do desktop, levando as
aplicações para a internet.
Uma nova tecnologia emergente pode acabar com a supremacia do desktop,
levando as aplicações, até agora "amarradas ao computador", para a internet.
AJAX é o nome do protagonista dessa transformação. O acrônimo (que faz
referência às linguagens JavaScript e XML) simboliza um conjunto de
mecanismos que, quando aplicados, permitem uma experiência mais rica de
navegação na web.
Quando utilizadas no desenvolvimento de um site, essas técnicas permitem que
o usuário possa acessar funções e realizar operações na página sem que ela
seja recarregada cada vez que ele aciona um recurso.
A manipulação dessas técnicas não é exatamente nova. Muitos desenvolvedores
já vêm utilizando esses recursos há alguns anos. Mas o nome para o conjunto
de processos juntamente com a padronização do seu uso nasceram de um artigo
publicado por Jesse James Garrett, fundador de uma empresa chamada Adaptive
Path.
Mas se as atenções da comunidade tecnológica se voltam a essa plataforma no
momento, não é apenas pelo surgimento de um nome de batismo para ela (o que,
de fato, contribui para uma maior divulgação e para um alinhamento nas
discussões sobre o assunto), mas principalmente pela percepção do enorme
potencial que ela oferece.
"Clica, espera..."
Além de tornar a navegabilidade dos sites mais atrativa e rápida, essa
plataforma permite levar softwares que antes ficavam restritos ao desktop
para a web.
Com recursos que evitam que o usuário tenha que esperar que a página seja
recarregada a cada processo executado, a interação com as aplicações na
internet torna-se muito menos incômoda e, com evolução do modelo, as formas
de explorar esses recursos podem ser infinitamente variadas.
O usuário, acostumado a obter a resposta do software baseado em desktop com
apenas um clique, poderá obter o mesmo tipo de resposta da aplicação online,
livrando-se do desagradável "clica, espera, carrega, clica de novo, espera,
carrega" que caracterizava as aplicações web da geração anterior.
"As pessoas passaram a exigir mais da experiência na internet. Mudou o
padrão de avaliação. A busca por uma interação mais rica e mais ágil vai
forçar os desenvolvedores a adotarem essa arquitetura", acredita Ricardo
Urresti, engenheiro de sistemas da BEA Systems.
Os prós
A migração das aplicações para a web traz uma série de benefícios, entre
eles um que tem especial apelo: a redução de custos.
No ambiente empresarial, adotar um software baseado na internet significa
eliminar tempo perdido e gastos com a instalação do sistema em cada estação
de trabalho.
Além de simplificar o acesso, o modelo facilita as atualizações, já que
qualquer mudança - seja para corrigir ou melhorar o sistema - é feita de uma
única vez no servidor, sem comprometer a produtividade dos usuários. Essa
transição também transforma o modo como as pessoas pagam pelo acesso ao
software.
Ao invés de adquirir os sistemas, o usuário - tanto o corporativo quanto o
doméstico - poderá apenas pagar pelo seu uso, durante o tempo em que ele for
necessário. "No lugar de altos investimentos em licenças, temos planos de
uso sob demanda, mais adequados ao orçamento e à variação das necessidades
do cliente", prevê Luis Derechin, presidente da JackBe.
O uso de aplicações baseadas em web também pode ter um impacto nos custos
com hardware, uma vez que, em geral, elas não exigem os mesmos recursos que
as aplicações para desktop.
"O usuário pode obter um desempenho muito melhor do seu equipamento usando
para isso apenas o navegador", avalia Derechin.
Segundo o executivo, este tipo de aplicação é especialmente útil para
aplicações com grandes volumes de transações - como CRM (Customer
Relationship Management), por exemplo -, dispersas geograficamente (pois
facilita uma administração centralizada e remota) e com uma base diversa de
usuários, uma vez que permite o acesso a partir de qualquer sistema
operacional, via browser.
Essas características tornam instituições financeiras, operações de comércio
eletrônico e o governo potenciais pioneiros na adoção do modelo.
Os contras
Que a migração das aplicações do desktop para a web é um caminho sem volta,
parece ser um consenso. Mas o ritmo desta transição pode não seu tão
acelerado quanto gostariam os entusiastas do modelo.
Se nos Estados Unidos as aplicações baseadas em AJAX multiplicam-se, no
Brasil a comunidade tecnológica apenas começa a explorar as potencialidades
da arquitetura.
Isso significa que as ferramentas disponíveis para facilitar a aplicação
desses recursos ainda são pouco numerosas, embora o interesse na arquitetura
cresça dia após dia: "somos bombardeados diariamente por perguntas de
desenvolvedores que querem saber mais sobre AJAX", conta Urresti.
Além disso, o acesso a aplicações na internet é ilimitado do ponto de vista
de plataformas, mas enfrenta uma restrição muito mais prática: a conexão.
Para utilizar softwares baseados na web, o usuário precisa estar conectado à
internet. Embora essa questão possa parecer de pouca relevância, é preciso
lembrar-se que, no Brasil, apenas 32 milhões - dos 184 milhões de habitantes
- de pessoas têm acesso à rede mundial de computadores.
"Para um usuário que está na Amazônia, por exemplo, o acesso à internet pode
não ser uma questão tão elementar", argumenta Derechin.
De aplicações de e-mail e busca a ferramentas de organização pessoal,
a gama de aplicações é variada, e pode dar uma idéia do que a arquitetura pode
trazer em termos de inovação.
Um exemplo fácil e bastante acessível de aplicação do AJAX é o sistema de
conversas do Gmail, webmail do Google.
Em e-mails respondidos ou encaminhados, uma aba com a indicação mensagem inicial
é exibida, porém o seu conteúdo fica oculto.
Ao clicar sobre esta aba, ela exibe automaticamente o texto correspondente e o
oculta novamente com apenas mais um clique, sem recarregar toda a página para
isso. Esse é o AJAX em ação.
Confira outros sites baseados na plataforma:
Busca
Google Suggest
http://www.google.com/webhp?complete=1&hl=en
Yahoo Instant Search
http://instant.search.yahoo.com/
Microsoft Star.com
http://www.start.com/
E-mail
Gmail
http://www.gmail.com
Zimbra
http://www.zimbra.com/
Cidatel
http://www.citadel.org/
Roundcube
http://www.roundcube.net/
Mapas
Google Maps
http://www.google.com/ig
Microsoft VirtualEarth
http://virtualearth.msn.com/
Mapa Interativo da Suíça
http://map.search.ch/index.en.html
Mensagem Instantâneas
Meebo
http://www4.meebo.com/
Organizador de imagens
Flickr
http://www.flickr.com/
Calendários e organizadores pessoais
Ta-Da Lists (lista de tarefas)
http://www.tadalist.com/
Kiko (calendário online)
http://www.kiko.com/index.htm
Backpack (organizador de tarefas)
http://www.backpackit.com/
Portais
Microsoft Start.com
http://www.start.com/
Google Personal Home Page
http://www.google.com/ig
Protopage
http://www.protopage.com/
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