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Em nosso dia-a-dia é comum necessitarmos comprovar a autenticidade de um documento e atribuí-lo um valor, seja através de uma assinatura à caneta, seja através de um carimbo, seja através de um selo de autenticação, enfim. No "mundo eletrônico", cuja principal influência é a internet, também precisamos de meios de autenticação e comprovação. É aí que "entra em cena" dois conceitos muito importantes: o de assinatura digital e o de certificação digital. Este artigo fará uma abordagem introdutória sobre ambos e mostrará o quão são importantes.
Assinatura digital
Assinar
documentos faz parte da rotina de qualquer pessoa, até daquelas consideradas
analfabetas que, nesse caso, fazem uso da impressão digital de um de seus dedos.
Agora, imagine-se
na seguinte situação: suponha que você esteja viajando a negócios e que tenha
que enviar à matriz da empresa documentos oriundos das reuniões que participou.
Obviamente, o jeito mais rápido de fazer isso é enviar os documentos pela
internet. Se esses documentos fossem entregues em papel, você certamente
assinaria para comprovar sua autenticidade e sua responsabilidade sobre eles.
Porém, em se tratando de arquivos digitais, como é que você fará a assinatura?
Escreverá seu nome em um pedaço de papel, o passará por um scanner e o
adicionará ao arquivo? Com certeza, não! O que você deve fazer é usar um
assinatura digital.
A assinatura
digital faz uso dos conceitos de chave pública e privada. Se você não sabe o que
é isso, é expressamente recomendável a leitura do artigo do InfoWester que trata
de criptografia.
O funcionamento
da assinatura digital ocorre da seguinte forma: é necessário que o usuário tenha
um documento eletrônico e a chave pública do destinatário (um usuário pode ser
tanto uma pessoa quanto uma instituição qualquer). Através de programas
apropriados, o documento é então criptografado de acordo com a chave pública. O
receptor usará então sua chave privada correspondente (que é exclusiva dele)
para decriptografar o arquivo. Se qualquer bit do documento for alterado a
assinatura será deformada, invalidando o arquivo.
Na verdade, o
processo de assinatura digital de documentos eletrônicos usa um conceito
conhecido como função hashing. Como o uso de um sistema de criptografia
assimétrico (mais detalhes
aqui) nas
assinaturas digitais pode causar muita demora numa decifragem, a função hashing
se mostrou como a solução ideial. Seu funcionamento ocorre da seguinte forma: a
função hashing analisa todo o documento e com base num complexo algoritmo
matemático gera um valor de tamanho fixo para o arquivo. Esse valor, conhecido
como "valor hash", é calculado com base nos caracteres do documento. Isso deixa
claro que o arquivo em si não precisa, pelo menos teoricamente, ser
criptografado (caso não seja algo secreto), mas sim acompanhado do valor hash.
Com isso, qualquer mudança no arquivo original, mesmo que seja de apenas um
único bit, fará com que o valor hash seja diferente e o documento se torne
inválido.
É interessar
notar que é praticamente impossível descobrir a chave privada através da chave
pública. Isso se deve ao algoritmo aplicado. Se usado o método RSA (Rivest,
Shamir and Adleman) - saiba mais no artigo sobre
criptografia
- dois números primos muito grandes (mas muito grandes mesmo!) são
multiplicados. O resultado é a chave pública. Para descobrir os dois números que
a geraram é necessário fazer uma fatoração, mas isso é impraticável.
Certificado digital
Obter uma
assinatura digital não é algo tão simples. Primeiro é necessário procurar uma
entidade que faça esse serviço, isto é, deve-se procurar uma Autoridade
Certificadora (AC). Uma AC tem a função de verificar a identidade de um usuário
e associar a ela uma chave. Essas informações são então inseridas em um
documento conhecido como certificado digital.
Um certificado
digital contém a chave pública do usuário e os dados necessários para informar
sua identidade. Esse certificado pode ser distribuído na internet. Com isso, uma
pessoa ou instituição que queira comprovar a assinatura digital de um documento
pode obter o certificado digital correspondente. É válido saber que certificados
digitais não são usados apenas em conjuntos com assinaturas digitais.
É importante
frisar que a transmissão de certificados digitais deve ser feita através de uma
conexão segura, como as que usam o protocolo SSL (Secure Socket
Layer), que é próprio para o envio de informações criptografadas.
Obtendo uma assinatura e um certificado digital
Como dito
anteriormente, um certificado digital é um documento eletrônico que contém as
informações da identificação de uma pessoa ou de uma instituição. Esse documento
deve ser solicitado a uma AC ou ainda a uma AR (Autoridade de Registro).
Uma AR tem a função de solicitar certificados a uma AC.
Para que um
certificado seja válido, é necessário que o interessado tenha a chave pública da
AC para comprovar que aquele certificado foi, de fato, emitido por ela. A
questão é que existem inúmeras ACs espalhadas pelo mundo e fica, portanto,
inviável ter a chave pública de cada uma.
A solução
encontrada para esse problema foi a criação de "ACs supremas" (ou "ACs-Raiz"),
ou seja, instituições que autorizam as operações das ACs que emitem certificados
a pessoas e empresas. Esse esquema é conhecido como ICP (Infra-estrutura
de Chaves Públicas) ou, em inglês, PKI (Public Key
Infrastructure).

No Brasil, a
ICP-Brasil controla
seis ACs (pelo menos até o fechamento deste artigo): a
Presidência da República,
a Receita Federal,
o SERPRO, a
Caixa Econômica Federal, a
Serasa e a
CertiSign. Isso
significa que, para que tenha valor legal diante do governo brasileiro, uma
dessas instituições deve prover o certificado. Porém, para que isso seja feito,
cada instituição pode ter requisitos e custos diferentes para a emissão, uma vez
que cada entidade pode emitir certificados para finalidades distintas. E isso se
aplica a qualquer AC no mundo.
Agora, uma coisa
que você deve saber é que qualquer instituição pode criar uma ICP, independente
de seu porte. Por exemplo, se uma empresa criou uma política de uso de
certificados digitais para a troca de informações entre a matriz e sua filiais,
não vai ser necessário pedir tais certificados a uma AC controlada pela
ICP-Brasil. A própria empresa pode criar sua ICP e fazer com que um departamento
das filiais atue como AC ou AR, solicitando ou emitindo certificados para seus
funcionários.
Finalizando
Ainda demorará
para que o uso do papel na emissão de documentos seja uma segunda opção. Talvez,
isso nem venha acontecer. No entanto, o uso de assinaturas e certificados
digitais é extremamente importante, principalmente pela velocidade com que as
coisas acontecem na internet. Além disso, determinadas aplicações, como as
bancárias, são consideradas cruciais para a manutenção de um negócio. Logo, o
uso de certificados digitais pode chegar ao ponto de ser imprescindível. Há
muito ainda a ser discutido sobre o assunto, mas entre as divergências
existentes, é unâmine a importância dessa tecnologia para a era da informação
eletrônica na qual adentramos.
Para obter mais
detalhes sobre assinatura e certificação digital, acesse os seguintes links:
FreeICP.ORG -
www.freeicp.org;
ICP-Brasil -
www.icpbrasil.gov.br;
Instituto Nacional de Tecnologia da Informação -
www.iti.br;
IBP Brasil -
www.ibpbrasil.com.br.
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