Bens de consumo faturaram R$ 8,2 bilhões com o comércio on-line em 2008. Indústria dá os primeiros passos no segmento
O brasileiro está comprando mais pela internet. Em 2008, o comércio
eletrônico no País teve faturamento de R$ 8,2 bilhões, significativo
aumento de 30% na comparação com o ano anterior. Não seria para menos:
hoje somos cerca de 50 milhões de internautas passando - em média - 23
horas semanais navegando na rede mundial de computadores.
Os
dados acima estão na pesquisa da consultoria E-bit, divulgada na semana
passada, e apresenta os números do comércio varejista. O estudo aponta
que o e-commerce (nome dado ao tipo de compra e venda praticada na
internet) está em franca expansão e deve aumentar cerca de 25% este
ano. O setor deve chegar aos dois dígitos de faturamento em 2009.
Apesar dos dados se referirem ao comércio eletrônico de bens
de consumo, a indústria de bens de capital pode se beneficiar da
disposição do brasileiro em fechar negócios on-line. Com a oferta de
máquinas e equipamentos cada vez mais acirrada, basta um clique no
mouse para esmiuçar uma máquina sem mesmo visitar um galpão.
Muitas empresas já entenderam a importância dessa ferramenta e
apostam na rede mundial para divulgar seus serviços. O momento
econômico pede novas soluções e a web pode ser uma boa alternativa. A
Casa dos Macacos, por exemplo, está a um passo de oferecer aos seus
clientes a compra de seus produtos totalmente via internet. "Estamos
implementando o e-commerce em três meses. No momento, trabalhamos no
layout do novo site", conta Valdemar Ferrari, responsável pelo
marketing da empresa.
Já acostumada ao ambiente B2B virtual, A Casa dos Macacos hoje dispõe
de um serviço de cotação on-line. "Ainda é preciso ligar para nossa
empresa para fechar a compra de equipamentos, mas em breve isso mudará.
Ofereceremos preço e opções de pagamento pela internet", adianta
Ferrari. Segundo ele, a maior parte das cotações vem da web.
Vitrine on-line
Um primeiro passo para entrar no ambiente on-line é divulgar produtos
na internet. Sites de busca são uma ótima opção para quem quer marcar
território na web. Outra alternativa é focar no público-alvo por meio
de sites especializados.
Criado em novembro de 2007, o Radar Industrial
(www.radarindustrial.com.br) conta com um serviço gratuito de busca de
produtos e serviços industriais voltado para engenheiros, técnicos,
gerentes de compra e industriais de todo o setor de bens de capital. O
portal não comercializa máquinas e equipamentos, mas coloca comprador e
vendedor em contato, agilizando a negociação.
A Digitrol atua no mercado de instrumentação industrial e aposta na web
para divulgar seus produtos. A empresa de médio porte, com sede na
capital paulista, investiu em seu endereço eletrônico e o reformulou em
maio de 2008. "Temos consciência de que estar na internet é fundamental
nos dias de hoje. Lá, expomos nossos produtos e mostramos nosso
catálogo de equipamentos. Hoje, temos banners e links patrocinados na
web", argumenta Denise da Costa Siqueira, do departamento de marketing
da empresa.
Num futuro não muito distante, a Digitrol pretende entrar para o
comércio eletrônico. "Pensamos na possibilidade para alguns de nossos
produtos, já que não trabalhamos com muitos itens de prateleira",
pontua Denise.
O Exemplo dos varejistas
A pesquisa da E-bit aponta ainda que as empresas de pequeno e médio
portes estão ganhando mais espaço no comércio eletrônico. É cada vez
mais comum ver empresas como a Digitrol gerenciando conteúdo em sites e
divulgando seus serviços em buscadores.
Para Pedro Guasti, diretor-geral da E-bit, o menor custo para
implantação e divulgação on-line de uma loja, aliado a maior oferta de
ferramentas e fornecedores especializados em e-commerce, são os
principais responsáveis para a desconcentração do mercado de comércio
eletrônico. "É possível encontrar dispositivos para segurança, crédito,
propaganda on-line, logística e pós-venda com custos acessíveis, o que
garante uma presença mais democrática das lojas."
No caso dos varejistas, os pequenos e médios registraram um crescimento
de 6% na participação no mercado se comparado os resultados dos grandes
em 2008. Segundo Guasti, isso demonstra a maturidade do consumidor, já
que ele deixou de se guiar somente por grifes e lojas de marca
reconhecida e passou a buscar a melhor oferta e condição de venda por
meio da informação disponível de loja e produtos em sites de busca,
comparação de preços e conteúdo colaborativo (Web 2.0).
Entretanto, o executivo da E-bit alerta para o cuidado com a
segurança que os sites de compra oferecem. E isso vale para qualquer
tipo de comércio eletrônico. "Antes de comprar um produto, é necessário
checar a credibilidade e a reputação da loja".
De qualquer maneira, vê-se no comércio eletrônico uma tendência,
abrindo espaço e oportunidades para pequenas e médias investirem nesse
setor. Pense nisso.
Fonte Kleber Pinto
Da Redação da P&S online