São Paulo - Inspirado na lenda da Guerra
de Tróia, este malware libera a passagem ao invasor para rastrear e
roubar dados do sistema.
A
lenda da Guerra de Tróia conta que gregos conseguiram entrar na cidade
camuflados em um cavalo e, então, abriram as portas da cidade para mais
guerreiros entrarem e vencerem a batalha.
Silencioso, o cavalo-de-tróia é um programa malicioso que abre as
portas do computador a um invasor, que pode utilizar como quiser o
privilégio de estar dentro de uma máquina.
Entre os exemplos
recentes está o Prg Trojan, que vem com um “kit de construção” para
facilitar o desenvolvimento e a liberação de variantes de pragas
virtuais. Com a ajuda do trojan, elas roubaram informações
confidenciais de mais de 10 mil pessoas na China, Rússia e Estados
Unidos, revelou a SecureWorks na terça-feira (26/06).
Integrante
do clube de engenharias sociais, que levam o usuário a acreditar em uma
mentira, este malware é instalado em um computador de forma camuflada,
sempre com o “consentimento” do usuário.
A explicação é que esta
praga está dentro de um arquivo que parece ser útil, como um programa
ou proteção de tela - que, ao ser executado, abra caminho para o
cavalo-de-tróia.
A intenção da maioria dos cavalos-de-tróia não é contaminar arquivos
ou hardwares. O atrativo da técnica é conseguir senhas e outros dados
bancários da vítima para promover golpes online. Portanto, é
fundamental que o usuário se preocupe com a proteção de seus dados.
Inspiração troiana
Odisseu, guerreiro de Ilíada, criou o
cavalo que deu origem à expressão em inglês “trojan horse”, o
cavalo-de-tróia que libera o acesso de máquinas a crackers.
A
lenda conta que, durante a Guerra de Tróia, Odisseu teve a idéia de
construir um cavalo de madeira e deixá-lo próximo às muralhas da cidade
inimiga.
Os troianos, crentes que o cavalo era um presente dos
gregos, que significava sua rendição, trouxeram o objeto para dentro da
cidade.
O cavalo, porém, era oco e trazia dentro de si alguns
guerreiros gregos que, na calada da noite, abandonaram o esconderijo e
abriram as portas de Tróia para dominar a cidade e vencer a guerra.
Presentes em números
Atualmente,
o objetivo principal dos cavalos-de-tróia é roubar informações de uma
máquina. “O programa destrói ou altera dados com intenção maliciosa,
causando problemas ao computador ou utilizando-o para fins criminosos,
como enviar spams”, explica o analista de vírus sênior da Kaspersky
Lab, Aleks Gostev.
Uma vez que os crackers de hoje buscam ganho
financeiro, os trojans são perfeitos para o roubo de dados, e os
criadores desta praga continuarão ativos em 2007, segundo o relatório
Malware Evolution do período de janeiro a abril de 2007, da Kaspersky.
Mal intencionados, os criminosos podem também utilizar o acesso livre à
máquina para esconder suas identidades e executar ações maliciosas sem
serem identificados.
A análise revela que a América Latina continuará a sofrer
principalmente com o roubo de dados bancários. “No Brasil, este tipo de
ataque é típico”, revela o analista. “O arquivo Trojan-Spy.Win32.Banker.aqu,
por exemplo, ataca 87 bancos simultaneamente”, exemplifica Gostev. “A
família Spy é a mais utilizada para coletar informações financeiras e
apoiar fraudes online.”
Infelizmente, é difícil identificar
estes programas que carregam malwares. “Há uma grande variedade de
programas que rodam ações sem o conhecimento ou consentimento do
usuário”, explica Gostev. “Os cavalos-de-tróia da atualidade podem ter
de um byte a centenas de megabytes, e alguns deles são programas muito
evoluídos.”
Em maio de 2007, os três primeiros colocados no Top 20
de malwares da Kaspersky são trojans. “Eles são, hoje, os atacantes
emergentes no time da evolução de malwares”, diz o analista.
Em
relação a 2005, o número desses programas maliciosos aumentou 46%,
segundo o Boletim de Segurança de 2006 da Kaspersky Lab. A maior ameaça
do último ano foi a família dos Gamings, comportamento que atinge games
online, como o World of Warcraft.
“Em 2007, os ataques terão
enfoque nos usuários de bancos e outros sistemas de pagamento, além de
jogadores online”, confirma Gostev.
Os cavalos-de-tróia, muitas
vezes, pegam carona nos phishings para que a vítima seja convencida a
baixar o arquivo contaminado ou entrar em um site malicioso. “O
desenvolvimento de novos tipos de trojans se justifica pela
possibilidade de distribuição em massa por e-mails”, diz Gostev.
Bê-á-bá do cavalo de tróia
Tal é a variedade dos danos
causados pelos trojans que, para compreendê-los e identificá-los,
especialistas criaram famílias que os separam de acordo com
características particulares.
Os chamados Backdoor abrem a porta
do computador e permitem que ele seja administrado remotamente. São
difíceis de identificar por se confundirem com programas reais
utilizados em sistemas de administração.
Os PSW fazem parte da
família que rouba senhas e outras informações sensíveis através de um
rastreamento no computador. Em seguida, enviam os dados a um e-mail
configurado no próprio malware.
A categoria Clickers direciona o
usuário a sites na web, utilizados para a pessoa acessar uma página
onde o usuário será atacado por outro malware.
Downloaders
instalam novos malwares ou adwares na máquina da vítima, assim como os
Droppers, que sequer mostram falsas mensagens de erro, passando ainda
mais desapercebidos.
Os Spies incluem programas de espionagem e
keyloggers, que captam informações e dados digitados pela vítima e os
enviam ao atacante. Esta família está entre as mais utilizadas por
criminosos virtuais.
Cavalos-de-tróia escritos especialmente
para sabotar uma máquina, os ArcBombs, agem literalmente como uma
bomba, enchendo o disco com dados sem sentido e são especialmente
perigosos para servidores.
Por fim, os rootkis, versão evoluída dos cavalos-de-tróia, desabilitam
algumas funções do sistema operacional, tais como a identificação de
malwares por antivírus. Os mais avançados agem no kernel - núcleo dos
sistemas operacionais que comanda as ações dos softwares - e, assim,
não são rastreados pela maioria das ferramentas de segurança.
Feche as portas da cidade
A primeira regra para evitar a entrada dos cavalos-de-tróia é: não abra arquivos de procedência duvidosa.
Quando
optar por baixar um arquivo, seja ele um game ou aplicação, preste
atenção à confiabilidade do site. É interessante também não esquecer de
reduzir a zero a vontade de abrir grandes ofertas (proteções de tela
inovadoras e outros) que chegam à sua caixa postal eletrônica.
“Para,
de fato, reconhecer um malware com eficiência, é preciso utilizar uma
solução antivírus e atualizá-la frequentemente”, recomenda Gostev.
“Também é altamente aconselhável utilizar um firewall.”
Fonte IDGNow
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