Marcos Sêmola detalha 16 dicas de proteção contra fraudes em leilões na internet.
O leilão online passou a ser uma modalidade de negócio bastante
atrativa no mundo, seja para a empresa proprietária do serviço, para os
vendedores e também para os consumidores que garimpam barganhas em meio
a tanta oferta.
É sem dúvida uma boa alternativa para se desfazer de produtos sem uso,
para adquirir produtos que já não são mais produzidos pela indústria ou
ainda para diversificar e complementar o comércio tradicional.
Teoricamente
é o local perfeito para se exercer a relação ‘ganha-ganha’, onde quem
não quer algo, encontra quem o deseje e quer pagar por ele. E por outro
lado, quem já não tinha esperanças de encontrar um item antigo, o
encontra. Entretanto, como ocorre em praticamente todas as relações em
que há transferência de valor, existe a possibilidade de fraude e é
exatamente disso que vamos falar hoje.
A coisa funciona mais
ou menos assim. O leilão online é um grande lago e vem atraindo muitos
peixes à procura de comida. Alguns famintos, sabendo exatamente o que
querem comer. Outros nem tanto, mas com o legítimo objetivo de
reconhecer o terreno e se aproveitar da sorte de encontrar algo
apetitoso. Ainda existem aqueles que estão constantemente famintos e
dispostos a comer qualquer coisa que se pareça com comida,
especialmente àquelas que cheirem bem. O que se esqueceu de contar é
que no meio de tudo isso existem tubarões de tamanhos variados e
rodeando o lago constantemente à procura de uma vítima.
Felizmente
os tubarões não são infalíveis e muitos deles inexperientes, acabam
deixando um rastro capaz de denunciar suas intenções e é disso que os
peixes precisam saber para fugir das armadilhas.
O produto
1.
Não existe mágica financeira para produtos novos. Se o preço da oferta
está muito abaixo do preço de mercado, ou se trata de falsificação, de
produto ilegal, produto roubado ou ainda do golpe mais comum: a venda
de um produto que não existe e que, portanto, não será entregue. Fuja
disso!
2. Se o produto em questão é muito desejado
pelo mercado, ou seja, a oferta é menor que a procura, preocupe-se em
observar os detalhes da fotografia do produto. É bom que seja a
fotografia do produto à venda e não a cópia de uma fotografia comercial
facilmente copiada da Internet. Em muitos casos o vendedor legítimo
tira a foto do produto com alguma identificação, um papel contendo o
nome do usuário do leilão, por exemplo. Assim ele procura dizer que o
produto existe e é mesmo dele.
3. Leia a descrição do
produto com atenção. A pressão gerada pelo tempo do leilão associada ao
desejo de comprar algo que parece ser a oportunidade da sua vida pode
comprometer seu poder de avaliação e com isso, cair em o que chamamos
de: golpe legal. Ocorre quando o vendedor camufla ou simplesmente omite
detalhes do produto de forma a parecer ser o que não é. Depois de
comprado e pago não haverá muito mais a fazer.
4.
Muitos vendedores utilizam a técnica do custo de manuseio e entrega do
produto para atrair as vítimas. Também classificado como golpe legal, o
vendedor anuncia o produto com preço competitivo e mais uma vez a
pressão e o “romantismo” do ambiente de leilão cega o comprador que
conclui a compra sem atentar para o alto preço do manuseio e da entrega
anunciado pelo comprador. No fim das contas, o produto que parecia ser
uma barganha sai mais caro que o esperado.
O vendedor
5. Existem dois grandes grupos de vendedores:
os que usam o leilão como canal alternativo de comercialização de
produtos novos como em ma loja virtual, e os usuários domésticos que
comercializam produtos usados em baixo volume e ainda bem
diversificados. Para ambos é importante estar atento à descrição do
produto, às formas de pagamento e ao seu histórico de operação no
leilão.
6. Se o vendedor faz uso de uma conta recém
criada ou teve sua conta mudada recentemente e não tem um número
expressivo de operações bem sucedidas, vá com cautela. Pode ser uma
venda legítima, mas também pode ser o golpe do produto roubado. Nesses
casos vale entrar em contato com o vendedor pelos canais disponíveis no
site de leilão, verificar a riqueza de detalhes da descrição do produto
e ainda, sempre avaliar seu apetite para o risco em função do valor do
produto em leilão. Correr o risco para adquirir um antigo e desejado
isqueiro de pouco mais de 10 dólares pode, ainda sim, valer a pena.
7. Os
ambientes de leilão online foram criados para intermediar o contato
entre comprador e vendedor, gerando receita com base na concretização
das operações. Para atraí-los e mantê-los em constante negociação é
preciso oferecer instrumentos que reduzam fraudes e ofereçam mais
conforto aos usuários. Por isso, procure sempre fazer uso dos recursos
disponibilizados pelo site como os instrumentos de pagamento, canais de
contato com o vendedor, avaliação da operação e ainda os canais de
fraude onde é possível reportar situações duvidosas. Vendedor que
rejeita o uso desses canais dá uma pista significativa de que não em
boas intenções.
8. A maturidade com a qual os sites de
leilão controlam seus usuários vem aumentando. É valioso usar e checar
as avaliações que os demais clientes fizeram de determinado cliente e
checar principalmente se há um legítimo grau de satisfação de outros
clientes com a compra do mesmo produto que você procura. Suspeite se
existirem muitas avaliações de um mesmo comprador ou ainda se o
vendedor é famoso por comercializar meias e está oferecendo um
notebook. O sistema de avaliação vinha sendo usado como moeda de troca
em que, tanto comprador quando vendedor temia avaliar negativamente a
outra parte e assim sofrer retaliação. Recentemente, um dos maiores
sites de leilão online do mundo vetou aos vendedores a avaliação dos
compradores, o que torna a ferramenta de avaliação muito mais poderosa
e eficiente para futuros compradores.
As abordagens
9.
A dinâmica de um leilão depende muito do poder de atratividade do
produto, sua popularidade, sua descrição, seu preço, do nível de
credibilidade do vendedor que é percebida pelos compradores e
finalmente pela relação oferta-procura. Em muitos casos o golpe ocorre
quando o vendedor utiliza uma conta secundária ou ainda a ajuda de
outros vendedores associados para realizar lances falsos que irão
elevar o preço final. Se estiver participando de um leilão, avalie o
perfil dos demais compradores e o valor dos lances. Se suspeitar de uma
prática ilegal, abandone-o.
10. Ao dar seu lance em um
leilão, o vendedor passa a ter direito e condição de contatá-lo
diretamente por email, e muitos o fazem para fazer ofertas fora do
ambiente de leilão. Seja para oferecer outros produtos ou ainda para
dizer que o ganhador daquele leilão não realizou o pagamento, e que por
isso, ele o está oferecendo por fora, são práticas comuns utilizadas
pelos golpistas. Cuidado!
11. Como o histórico de
operação no leilão tem valor na hora de avaliar o vendedor, muitos
golpistas realizam vendas de itens de baixo valor por algum tempo até
adquirir um número representativo de avaliações positivas. Então começa
seu plano de venda de produtos de valor muito mais elevado e já com o
objetivo de lesar o comprador. A melhor forma de identificar este golpe
é analisar o perfil de produtos já comercializados e suspeitar de uma
mudança tão radical como vender pentes e de repente começar a vendar
carros esportivos.
12. Existe tecnicamente a
possibilidade de um golpista ter roubado a identidade de um usuário
legítimo do leilão e com isso praticar golpes apoiados por um histórico
positivo de transações. Neste caso, não há muito que fazer senão
suspeitar de ofertas maravilhosas e meios de pagamento inseguros.
O pagamento
13.
Golpistas normalmente oferecem manobras alternativas de pagamento e
contato com o apelo de que ambos poderão evitar os custos associados à
intermediação do site de leilão e do meio de pagamento, mas na verdade,
tentam é evitar o rastreamento das operações e assim reduzir a proteção
do consumidor. Contatos diretos por email, telefone e ainda pagamentos
em dinheiro e transferência bancária não identificada são apenas alguns
dos artifícios para ficar com o seu dinheiro. Obra o olho!
14.
Fazendo uso dos mecanismos de pagamento oferecidos pelo site de leilão,
o comprador normalmente estará coberto por um seguro em caso de entrega
de produto danificado, o não recebimento do produto, ou ainda o
recebimento de produto muito diferente das especificações descritas
pelo vendedor. Portanto, resista aos vendedores que parecem ter o tão
procurado produto, mas que só aceitam pagamentos em dinheiro,
transferência bancária e que, portanto, ocorre fora dos olhos do site
de leilão. Atente também para o valor máximo oferecido pelo seguro e
para as condições específicas de cobertura.
15. O ser
humano é mesmo criativo e capaz de criar a mais inventiva estória para
justificar a necessidade de receber o pagamento em dinheiro, ou ainda
de utilizar outros meios para concluir o leilão. Desde um parente
distante que precisa do dinheiro para pagar uma cirurgia de emergência,
até a desculpa de que o dinheiro seria para caridade, e que por esta
razão, pode vender o produto por um preço muito abaixo do valor de
mercado. Fuja disso!
16. Não há nenhum motivo
plausível para que um vendedor idôneo não aceite pagamentos através de
cartão de crédito, bancos eletrônicos de intermediação de
transferências como o Paypal, ou ainda, qualquer outro meio de
pagamento seguro e monitorado. Se houver qualquer tido de resistência,
desconfie.
Esta lista de sinais de golpe não é exaustiva.
Existem muitas variações além de outras que ainda serão criadas. Cabe
ao comprador avaliar seu apetite para o risco e tomar medidas
preventivas que reduzam seu nível de exposição. Não deixe que o
ambiente mágico do leilão tome conta de seu poder de avaliação e
decisão, e não se transforme em mais um aperitivo de tubarão, o que só
fará aumentar a presença deles no grande lago.
Fonte IDGNOW
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