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O criador do primeiro computador do mundo nasceu em Berlim há 100 anos,
em 22 de junho de 1910. Durante a Segunda Guerra, a máquina e todas as
fotos dela foram destruídas durante um bombardeio aéreo.
No dia 22 de junho de
2010, o alemão Konrad Zuse completaria 100 anos de vida. O engenheiro
berlinense é tido como o criador do primeiro computador do mundo e
também da primeira linguagem de programação baseada em algoritmos.
Entre as contribuições
mais conhecidas de Konrad Zuse para o mundo da informática estão as
máquinas Z1, Z3 e Z4, construídas respectivamente em 1938, 1941 e 1945. A
primeira era uma calculadora com tecnologia mecânica que, segundo a
Universidade Técnica (TU) de Berlim, pesava cerca de 500 quilos e era
capaz de fazer operações aritméticas de adição, subtração, multiplicação
e divisão, além de calcular raiz quadrada e converter decimais em
binários e vice-versa.

Bildunterschrift:
Réplica do Z1
O desenvolvimento da
máquina Z2 em 1939 possibilitou a Konrad Zuse acumular experiência para
finalizar, dois anos mais tarde, a construção da Z3. Considerada a
primeira calculadora completamente automática e programável em sistema
binário do mundo, a invenção tinha todos os componentes encontrados em
um computador moderno, exceto memória para armazenar dados ou um
programa.
O Z3 foi concebido
antes mesmo do computador britânico Colossus, projetado durante a
Segunda Guerra Mundial por Alan Turing, e do estadunidense ENIAC, criado
em 1946 por John Eckert e John Mauchly. No entanto, o pesquisador
Friedrich Naumann lembra em seu livro Do ábaco à internet: a
história da informática (tradução livre) que a invenção de Konrad
Zuse não foi levada a sério nem pelo governo nem pela indústria alemães
na época.
Apenas hobby?
Formado em 1935 em
Engenharia Civil, depois de passar pelos cursos de Arquitetura e
Engenharia Mecânica na TU Berlim, Zuse utilizou a sala da casa dos pais
durante anos para conceber os primeiros computadores. O engenheiro
também já havia se dedicado à pintura e não tinha conhecimentos
específicos de eletricidade ou eletrônica. Isso explica por que, segundo
Naumann, a máquina Z3 foi vista durante muito tempo como um brinquedo
de Zuse. Segundo o autor, o trabalho do engenheiro era visto apenas como
um "hobby".

Bildunterschrift:
Großansicht des Bildes
mit der Bildunterschrift: Réplica
do Z3
No mesmo livro,
Naumann relata que nem mesmo Andreas Grohmann, assistente de Zuse, tinha
noção do significado de sua contribuição para a construção do Z1. Ele
menciona que o assistente teria dito que trabalhava às cegas, "sem saber
ao certo como aquele monstro que ali estava deveria funcionar".
Entretanto, depois de pronta, a máquina "trabalhava sem grandes
problemas e dava soluções exatas para problemas complicados".
O computador Z4
Em 1945, Konrad Zuse
criou o Z4, uma máquina muito mais potente que as anteriores. Enquanto a
Z3 e a Z1 levavam entre três e cinco segundos para realizar uma
operação de multiplicação, a Z4 era capaz de fazer 11 multiplicações em
apenas um segundo. Esses e outros detalhes são divulgados pela TU Berlim
em uma exposição realizada em junho de 2010 na Biblioteca Volkswagen,
ao lado do campus principal, em homenagem ao ex-aluno da instituição.
A mostra lembra também
que, em 1945, Zuse deixou a capital alemã e organizou o transporte do
Z4. O Z3 e todas as fotos dele haviam sido destruídos durante um
bombardeio aéreo. Durante muitos meses, o Z4 ficou guardado em um galpão
na cidade de Hinterstein, próxima à fronteira austríaca.
Disputa entre
potências
A máquina despertou o
interesse do matemático Eduard Stiefel. Em setembro de 1945, ele e Zuse
assinaram um contrato, formalizando o empréstimo do Z4 ao Instituto de
Matemática da Universidade Técnica de Zurique (ETH) por cinco anos.
De acordo com um
relatório publicado por aquela universidade em 1981, os suíços
pretendiam utilizar o equipamento não só para efetuar cálculos numéricos
abrangentes, mas também para enriquecer suas pesquisas e produzir seus
próprios computadores em um futuro próximo. Para eles, o empréstimo do
Z4 por 30 mil francos suíços era visto como uma boa chance de não ficar
de fora na primeira fase da informática.

Bildunterschrift: O
computador Z4 no Museu Alemão de Munique (Deutsches Museum)
Além dos Estados
Unidos, outras potências europeias vinham apresentando significativos
avanços na área, como a Reino Unido e a França. Segundo Naumann, porém, o
Z4 foi o único computador da Europa em condições perfeitas de
funcionamento até 1951.
No livro Der
Computer – Mein Lebenswerk ("O computador – a obra da minha vida"), o
próprio Konrad Zuse lamenta a falta de reconhecimento da importância de
seus primeiros computadores pela própria Alemanha. Para ele, a
indústria eletrônica do país agiu com lentidão, ao contrário das
indústrias dos EUA e da Suíça.
De acordo com o
engenheiro, a produção de computadores na Alemanha se deu de forma
tardia, acarretando consequências lamentáveis à economia, "pois a
indústria de informática é hoje uma das mais importantes do mundo – se
não a mais importante delas".
Depois do empréstimo
do Z4 à ETH, o próprio Konrad chegou a produzir e comercializar
computadores em uma empresa com sede em Bad Hersfeld, no estado de
Hessen. Em meados da década de 1960, porém, a firma foi comprada pela
Siemens.
Memórias de um
filho
Um de seus cinco
filhos é Horst Zuse, de 63 anos, professor aposentado de Informática da
TU Berlim. Apesar de também ter dedicado grande parte de sua vida à
informática, Horst diz que aprendeu também com os erros do pai. "Lido
melhor com dinheiro do que ele", exemplifica.
O filho conta que o
pai obteve sucesso durante alguns anos em sua firma, "mas depois a
concorrência pesada de empresas como Siemens, IBM e AEG lhe tornou a
vida difícil".
O filho de Zuse
prefere usar a palavra "respeito" em vez de "orgulho" quando discorre
sobre a carreira do pai. Independente dos termos que emprega, o
professor demonstra notável admiração ao frisar: "O especial do meu pai é
que ele não só criou, mas também montou o primeiro computador. Por
isso, sempre digo: Konrad Zuse foi não só o criador, mas também o
construtor do primeiro computador no mundo".
Konrad Zuse faleceu em 18 de dezembro de 1995 em
Hünfeld, no estado alemão de Hessen.
Autor: Elton Hubner
Revisão:
Rodrigo Rimon
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